
Este post pode conter links de afiliados. Se você comprar através deles, podemos receber uma comissão, sem custo adicional para você.
Por Luís Gustavo. Veja como pesquisamos e revisamos nosso conteúdo.
Tem gente que ainda acha aves “só um bicho no quintal”, mas por trás desses animais existe uma engenharia biológica impressionante. Separamos 5 curiosidades sobre o mundo das aves.
1. Algumas aves conseguem dormir enquanto voam
Espécies como o andorinhão consegue dormir em pleno voo, alternando entre os dois hemisférios do cérebro — uma parte descansa enquanto a outra mantém o controle do voo. Alguns indivíduos passam meses seguidos sem pousar.
2. Aves migratórias usam o campo magnético da Terra como bússola
Estudos mostram que muitas espécies têm um sentido chamado magnetorrecepção, que permite “sentir” o campo magnético terrestre e usá-lo como referência de navegação em migrações de milhares de quilômetros.
3. Nem toda ave que canta bonito é fácil de ver
O canto de muitas aves é justamente uma estratégia de comunicação à distância — permite marcar território e atrair parceiros sem a necessidade de visibilidade direta, já que muitas espécies vivem escondidas na vegetação densa.
4. Os beija-flores têm o metabolismo mais acelerado entre os vertebrados
O coração de um beija-flor pode bater mais de 1.200 vezes por minuto durante o voo. Para manter essa energia, eles precisam se alimentar a cada 10-15 minutos, praticamente o dia inteiro.
5. Corvos reconhecem rostos humanos
Pesquisas mostram que corvos e gralhas conseguem memorizar e reconhecer rostos humanos específicos por anos, inclusive associando pessoas a experiências positivas ou negativas.
Se esse tema te interessa, vale a pena conferir também nosso conteúdo sobre pinguins e sobre curiosidades sobre morcegos.
Andorinha-do-ártico: 70 mil quilômetros em um ano
Entre as migrações já medidas, nenhuma passa da andorinha-do-ártico. Em um estudo publicado em 2010 na revista PNAS, pesquisadores prenderam geolocalizadores, pequenos registradores de luz que permitem reconstruir a rota, em onze aves que se reproduziam na Groenlândia e na Islândia. A distância média percorrida em um ano foi de 70.900 km, com máximo de 81.600 km, em uma viagem de ida e volta entre o Ártico e o Oceano Austral.
O número ficou bem acima das estimativas anteriores porque as aves não voam em linha reta: fazem curvas longas para aproveitar os ventos dominantes. Uma andorinha-do-ártico que viva 30 anos, mantendo esse ritmo, soma mais de 2 milhões de quilômetros ao longo da vida. Em 2016, a BBC noticiou uma ave de uma colônia da Inglaterra que chegou perto de 96 mil km em dez meses, a maior marca registrada até então.
Oito dias sem comer, beber nem pousar
Em 2008, a revista Proceedings of the Royal Society B relatou o voo de uma fêmea de maçarico da espécie Limosa lapponica, a bar-tailed godwit dos ingleses, identificada pelo código E7. Ela saiu da costa do Alasca e chegou à Nova Zelândia sem escala: 11.680 km em mais de oito dias, sem comer, beber nem descansar. Até ali, o recorde de voo sem pouso era de um maçarico de outra espécie, com cerca de 6.500 km entre a Austrália e a China.
No mesmo trabalho, sete fêmeas acompanhadas voaram em média 10.153 km, com no máximo 9,4 dias no ar, e dois machos fizeram trajetos um pouco menores, de até 6,6 dias. Marcas posteriores, obtidas com transmissores de satélite, passaram dos 12 mil km.
As aves são dinossauros vivos
Para a paleontologia atual, as aves não apenas descendem de dinossauros: são dinossauros, mais precisamente um ramo dos terópodes, o grupo de predadores de duas patas que inclui o Tyrannosaurus rex. O Archaeopteryx, que viveu de 150 a 155 milhões de anos atrás onde hoje é a Alemanha, tinha penas, mas o esqueleto lembrava o de um pequeno dinossauro, com dentes, mãos com garras e cauda longa e óssea. Ele não é considerado o ancestral comum de todas as aves.
A ideia surgiu na década de 1860, perdeu prestígio e voltou depois das descobertas de dinossauros com penas, nos anos 1990. Quando o fim do Mesozoico extinguiu os dinossauros não aviários, só um pequeno número de aves avançadas sobreviveu; eram menores, cresciam rápido e tinham metabolismo elevado e voo eficiente, características que podem ter ajudado. Hoje há mais de 10 mil espécies delas. Para conhecer os parentes de escama e de pena, veja as curiosidades sobre dinossauros.
Quantas aves existem no Brasil
A segunda edição da lista comentada do Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos (CBRO), com atualizações aprovadas até maio de 2021, aceita 1.971 espécies com ocorrência documentada no país, e 293 delas são endêmicas, ou seja, só existem aqui. A lista é revista a cada nova descoberta e mudança de classificação, e por isso outras fontes citam totais um pouco diferentes.
Ararinha-azul: a ave que a caatinga perdeu e tenta recuperar
O último macho nascido livre da ararinha-azul sumiu da caatinga da Bahia por volta do ano 2000, e em 2019 a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) classificou a espécie como extinta na natureza. Ela só sobreviveu graças a aves mantidas em criadouros, entre eles um na Alemanha. Em 2018, foram criadas na região de Curaçá, na Bahia, a Área de Proteção Ambiental e o Refúgio de Vida Silvestre da Ararinha-Azul, que somam 120 mil hectares.
Em junho de 2022, oito aves nascidas em cativeiro, três machos e cinco fêmeas, foram soltas em Curaçá em um modelo de soltura branda, com alimentação de apoio por cerca de um ano, e a previsão era liberar outras 12 até o fim daquele ano. O projeto é coordenado pelo ICMBio. Trata-se de um experimento em andamento: é o acompanhamento das aves soltas que vai dizer se a espécie volta a se sustentar sozinha na caatinga.
Quer observar isso de perto?
Binóculo Profissional HD 200×22 com Visão Noturna — ótimo para observação de aves e vida selvagem, mesmo à distância.
Aviso: link com nosso rastreio de afiliado no Mercado Livre.
Curtiu essas curiosidades? Compartilhe com quem também ama observar a natureza.
