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5 Curiosidades Sobre os Oceanos Que Mostram Como Sabemos Pouco Sobre Eles

julho 28, 2026
Ondas do oceano vistas de cima

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Por Luís Gustavo. Veja como pesquisamos e revisamos nosso conteúdo.

Os oceanos cobrem mais de 70% da superfície da Terra, mas continuam sendo um dos lugares menos explorados do planeta. Separamos 5 curiosidades sobre esse mundo submerso.

1. Já mapeamos mais a superfície da Lua e de Marte do que o fundo do oceano

Segundo a NOAA (Administração Oceânica e Atmosférica dos EUA), uma parcela relativamente pequena do assoalho oceânico foi mapeada em alta resolução — boa parte do fundo do mar continua, literalmente, um território desconhecido.

2. A “zona do crepúsculo” tem quase escuridão total

Abaixo de 200 metros de profundidade começa a chamada zona mesopelágica, onde a luz solar praticamente não chega. É nessa região que vivem algumas das criaturas mais estranhas já registradas, muitas delas bioluminescentes.

3. O oceano produz boa parte do oxigênio que respiramos

Organismos marinhos microscópicos, como o fitoplâncton, são responsáveis por uma parte significativa da produção de oxigênio do planeta — em alguns cálculos, mais do que todas as florestas terrestres combinadas.

4. Existem montanhas e cânions maiores que os terrestres, só que submersos

A cadeia de montanhas submarinas mais longa do mundo, a Cordilheira Meso-Oceânica, tem mais de 60 mil km de extensão — muito maior que qualquer cadeia de montanhas em terra firme.

5. Novas espécies marinhas são descobertas o tempo todo

Mesmo hoje, expedições de pesquisa continuam descobrindo espécies desconhecidas nas profundezas oceânicas — um lembrete de que ainda existe muito por descobrir, literalmente, debaixo d’água.

Esse assunto também tem tudo a ver com curiosidades sobre aves e com pinguins, que valem a leitura.

Challenger Deep: o ponto mais fundo e as duas pessoas que chegaram lá em 1960

A profundidade média do oceano é de cerca de 3.682 metros, segundo a NOAA. O ponto mais fundo conhecido, o Challenger Deep, na ponta sul da Fossa das Marianas, no Pacífico, fica a aproximadamente 10.935 metros. É o bastante para que, lá embaixo, a pressão da água seja mais de mil vezes a da superfície.

Em 23 de janeiro de 1960, o batiscafo Trieste levou o suíço Jacques Piccard e o tenente da Marinha dos EUA Don Walsh até o fundo. A descida durou quase cinco horas, e eles ficaram cerca de 20 minutos lá embaixo, em água perto de 7 °C. Eles relataram ter visto um peixe achatado e pequenos camarões vermelhos, indício de que havia vida mesmo ali. A subida levou outras três horas, mais ou menos.

Fontes hidrotermais: ecossistemas que vivem sem luz do Sol

Em 1977, cientistas que exploravam uma dorsal oceânica perto das ilhas Galápagos, a bordo do submersível Alvin, encontraram fontes hidrotermais, uma espécie de fontes termais do fundo do mar. Segundo a NOAA, a água sai delas a mais de 370 °C (700 °F) e não ferve porque a pressão é enorme. Os geólogos esperavam rocha nua e deram de cara com comunidades de animais, como vermes-tubulares, mexilhões e caranguejos, que ninguém conhecia.

A base dessa cadeia alimentar não é a fotossíntese. Micróbios aproveitam compostos químicos da água quente, como o gás sulfídrico, um processo chamado quimiossíntese. Até então, os livros tratavam a luz solar como fonte de energia de toda a vida. A NOAA também registra que essas fontes são uma das entradas de sais no mar, ao lado dos rios.

Quando o mar acende: a luz que os próprios animais produzem

Bioluminescência é luz produzida por um ser vivo, a partir de reações químicas, e a NOAA a descreve como bem mais difundida no oceano do que se imagina, de bactérias a tubarões. Os usos mais comuns são avisar ou despistar predadores, atrair ou localizar presas e se comunicar com a mesma espécie.

Um estudo do Instituto de Pesquisa do Aquário da Baía de Monterey (MBARI) quantificou isso: 17 anos de vídeos de veículos submersíveis, de 1999 a 2016, com mais de 350 mil observações da superfície até cerca de 3.900 metros. Resultado, 76% dos indivíduos observados tinham capacidade de produzir luz. É por isso que a escuridão do fundo é menos escura do que parece. As medusas estão entre os animais que mais brilham.

Quase toda a água do planeta está no mar, e é salgada

Cerca de 97% da água da Terra está no oceano, segundo a NOAA. O Serviço Geológico dos EUA estima o total do planeta em mais de 1,386 bilhão de quilômetros cúbicos, e o Centro Nacional de Dados Geofísicos calcula 1,335 bilhão deles no oceano. Menos de 1% de toda a água da Terra é doce.

A água do mar tem em média cerca de 35 partes de sal por mil, ou seja, aproximadamente 3,5% do peso. A NOAA explica que o sal vem sobretudo da chuva levemente ácida que desgasta rochas e é levada pelos rios, além de fontes no fundo do mar e vulcões submarinos. Cloreto e sódio respondem por cerca de 85% dos íons dissolvidos. A salinidade varia: tende a ser menor perto do equador e dos polos e maior em latitudes intermediárias, conforme temperatura, evaporação e chuva.

O reservatório de calor do planeta

Segundo a NASA, o oceano absorve cerca de 90% do calor extra gerado pelo aquecimento global, e ao fazer isso distribui a energia de forma mais uniforme pelo planeta. As medições do calor oceânico existem desde 1955 e registraram recorde em 2023. Água quente se expande, e isso contribui para a elevação do nível do mar, que subiu mais de 101 milímetros (cerca de 4 polegadas) desde 1992. O gás carbônico que se dissolve na água também a torna mais ácida.

A NOAA descreve esse papel como central para estabilizar o clima: a capacidade de guardar e liberar calor ao longo de períodos muito longos dá ao mar um papel central na estabilização do sistema climático da Terra.


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Com o fundo do mar ainda pouco mapeado, não surpreende que guarde histórias engolidas pela água. Algumas delas estão em naufrágios que intrigam historiadores.