
Este post pode conter links de afiliados. Se você comprar através deles, podemos receber uma comissão, sem custo adicional para você.
Por Luís Gustavo. Veja como pesquisamos e revisamos nosso conteúdo.
A paleontologia não para de descobrir coisas novas, e boa parte do que aprendemos sobre dinossauros na infância já está desatualizado. Separamos 5 curiosidades científicas atuais.
1. As aves são, tecnicamente, dinossauros
Segundo o consenso científico atual, as aves modernas descendem diretamente de um grupo de dinossauros terópodes — ou seja, tecnicamente, os dinossauros nunca foram totalmente extintos.
2. Muitos dinossauros tinham penas, não escamas
Descobertas de fósseis nas últimas décadas mostraram que várias espécies de dinossauros, incluindo parentes próximos do T-Rex, tinham penas — uma imagem bem diferente da que os filmes clássicos mostravam.
3. O T-Rex viveu mais perto de nós no tempo do que do Stegosaurus
O Stegosaurus viveu há cerca de 150 milhões de anos, enquanto o T-Rex viveu há cerca de 66-68 milhões de anos — ou seja, mais tempo separa essas duas espécies do que separa o T-Rex dos humanos.
4. Nem todo “dinossauro” marinho ou voador era realmente um dinossauro
Répteis como os pterossauros (voadores) e os plesiossauros (marinhos) viveram na mesma época dos dinossauros, mas pertencem a grupos evolutivos diferentes — tecnicamente, não são classificados como dinossauros.
5. Fósseis de dinossauros ainda estão sendo descobertos regularmente
Novas espécies de dinossauros continuam sendo identificadas todos os anos ao redor do mundo, incluindo descobertas recentes na América do Sul, incluindo o Brasil.
Se você chegou até aqui, é bem provável que também vá gostar de saber mais sobre curiosidades sobre os oceanos e sobre curiosidades sobre aves.
De onde vem a palavra “dinossauro”
O nome é bem mais jovem do que os animais que ele descreve. Quem o criou foi o anatomista britânico Richard Owen, em 1842, para agrupar um conjunto de répteis fósseis que ele considerava distintos dos demais. A palavra junta duas raízes do grego antigo: deinos, que carrega a ideia de “terrível” ou “tremendamente grande”, e sauros, “lagarto”. Daí a tradução popular, “lagarto terrível”.
Ironicamente, o rótulo ficou meio enganoso. Dinossauros não eram lagartos, e muitos eram bem pequenos: o Anchiornis, um parente emplumado encontrado na China, tinha, no máximo, o tamanho de um corvo.
O asteroide que mudou a história: Chicxulub
Os dinossauros não avianos desapareceram há cerca de 66 milhões de anos, e a principal explicação é o impacto de um objeto de aproximadamente 10 km de diâmetro na região da atual Península de Yucatán, no México. A cratera, chamada Chicxulub, está soterrada cerca de 1 km abaixo de rochas mais jovens. O anel interno mede por volta de 180 km, e evidências mais recentes indicam que a estrutura completa chega perto de 300 km de largura.
Das linhagens de dinossauros, apenas a das aves atravessou essa extinção, e os descendentes dela incluem de beija-flores a pinguins. A descoberta da cratera tem uma história curiosa. Em 1978, os geofísicos Glen Penfield e Antonio Camargo, que faziam um levantamento magnético para a Pemex, notaram um círculo gigante nos dados, mas a ligação com a extinção só veio depois que Luis e Walter Alvarez propuseram, em 1980, que um impacto explicaria a camada rica em irídio nas rochas dessa época. Em 2016, uma expedição internacional de perfuração retirou do fundo do mar um testemunho de 1.335 metros do anel interno da cratera, material que segue sendo estudado.
Patagotitan: um gigante achado por um peão de fazenda
Entre os maiores animais terrestres já conhecidos está o Patagotitan mayorum, da Patagônia argentina. Tudo começou em 2010, quando o trabalhador rural Aurelio Hernández encontrou um fêmur enorme numa região desértica da província de Chubut. As escavações foram de 2012 a 2015 e recuperaram restos de pelo menos seis indivíduos, que viveram há cerca de 101 milhões de anos.
Quando foi descrito, em 2017, estimou-se um comprimento de cerca de 37 metros e uma massa em torno de 69 toneladas. Estudos posteriores revisaram os números para baixo: algo como 31 metros e entre 50 e 57 toneladas, com margem de erro grande. Como só sobram ossos, todo peso de dinossauro é uma estimativa que muda conforme o método.
Dinossauros brasileiros: do Rio Grande do Sul a Minas Gerais
O Staurikosaurus foi descrito em 1970 pelo paleontólogo Edwin Colbert a partir de fósseis da Formação Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Era um animal esguio, de pouco mais de 2 metros, do Triássico Superior, ou seja, de uma fase bem inicial da história do grupo, mais de 220 milhões de anos atrás.
Já o Maxakalisaurus, descrito em 2006 por uma equipe liderada por Alexander Kellner, é um titanossauro de cerca de 12 metros achado em Minas Gerais, perto de Prata. O esqueleto ficou no Museu Nacional, no Rio de Janeiro; parte das peças foi perdida no incêndio de 2018, mas várias sobreviveram.
Como se descobre a cor de um dinossauro
Parece impossível saber a cor de um bicho extinto, mas fósseis muito bem preservados guardam melanossomos, estruturas microscópicas que contêm pigmento. Pelo formato deles, pesquisadores propuseram em 2010 que o Anchiornis, do Jurássico Superior, tinha corpo cinza e preto, topete avermelhado e asas brancas com pontas pretas.
O método, porém, tem limites: um estudo de 2015 com outro exemplar encontrou apenas melanossomos cinza e escuros, e os autores sugeriram que a diferença pode vir da preservação, da idade do animal ou de variação regional. Ou seja, as cores publicadas são reconstruções com margem de dúvida, não fotografias.
Quer virar um paleontólogo por um dia?
Kit Escava Fóssil de Dinossauro — ótimo pra quem quer sentir na prática como funciona uma escavação.
Aviso: link com nosso rastreio de afiliado na Amazon.
Saber que os dinossauros nunca sumiram por completo muda o jeito de olhar qualquer pássaro na janela. O que esses descendentes fazem hoje está nas curiosidades sobre aves.
