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Por Luís Gustavo. Veja como pesquisamos e revisamos nosso conteúdo.
A galáxia onde vivemos é gigantesca demais pra nossa cabeça processar direito. Separamos 5 curiosidades sobre a Via Láctea.
1. Existe um buraco negro supermassivo bem no centro
Sagittarius A*, o buraco negro supermassivo no centro da Via Láctea, tem massa equivalente a milhões de sóis — e a primeira imagem direta dele só foi capturada em 2022, por uma rede global de radiotelescópios.
2. Nosso Sistema Solar é só um “bairro” numa cidade imensa
A Via Láctea tem entre 100 e 400 bilhões de estrelas, segundo estimativas da NASA. O Sol é só uma delas, localizado num braço espiral relativamente afastado do centro galáctico.
3. A galáxia inteira está girando — e nós com ela
O Sistema Solar orbita o centro da Via Láctea a uma velocidade de cerca de 828.000 km/h, mas mesmo nessa velocidade, leva cerca de 230 milhões de anos pra completar uma volta.
4. A Via Láctea vai colidir com outra galáxia (só que daqui bilhões de anos)
A galáxia de Andrômeda está se aproximando da Via Láctea e a colisão está prevista para acontecer em cerca de 4 bilhões de anos — tempo suficiente pra não precisar se preocupar com isso.
5. Só vemos uma fração das estrelas da nossa própria galáxia
Da Terra, a olho nu, conseguimos ver apenas alguns milhares de estrelas — uma fração ínfima das centenas de bilhões que existem na Via Láctea, a maioria escondida por poeira cósmica e distância.
Quem gosta desse tipo de curiosidade também costuma curtir curiosidades sobre o universo e curiosidades sobre a lua.
Um disco de 87 mil anos-luz com uma barra no meio
A Via Láctea é uma galáxia espiral barrada: no centro há uma barra alongada de estrelas. Observações do telescópio Spitzer, em 2005, mostraram que essa barra é maior do que se imaginava. O disco de estrelas mede cerca de 87.400 anos-luz de diâmetro (com margem de erro de 3.600), mas é muito fino: o disco delgado tem entre 718 e 1.470 anos-luz de espessura.
O Sol fica a algo entre 25 mil e 28 mil anos-luz do centro, na borda interna do Braço de Órion, um braço menor, às vezes chamado de esporão. Ou seja, o Sistema Solar fica bem longe do centro, mas ainda dentro do disco estelar, cujo raio é de cerca de 43 mil anos-luz.
O censo da sonda Gaia: 1,8 bilhão de objetos da galáxia
A sonda Gaia, da Agência Espacial Europeia, mede posição, brilho e movimento de estrelas desde 2014. Em 13 de junho de 2022, saiu o terceiro lançamento de dados (DR3), construído com as observações dos primeiros 34 meses da missão: um catálogo com cerca de 1,8 bilhão de objetos da nossa galáxia, mais de 33 milhões deles com velocidade radial (o movimento em direção a nós ou para longe de nós) medida.
O lançamento trouxe ainda o maior catálogo de estrelas binárias já feito para a Via Láctea, milhares de asteroides e luas do Sistema Solar e milhões de galáxias e quasares distantes. É com mapas de movimento como esse que os astrônomos reconstroem a história da galáxia.
Gaia-Enceladus: a galáxia anã engolida há 10 bilhões de anos
Em 2018, uma equipe liderada por Amina Helmi usou dados do Gaia para mostrar que boa parte das estrelas do halo interno da Via Láctea vem de uma galáxia anã, batizada de Gaia-Enceladus, que se fundiu com a nossa. Segundo o estudo, ela era um pouco mais massiva que a Pequena Nuvem de Magalhães na época da fusão. As estrelas dessa galáxia seguem órbitas ligeiramente retrógradas e alongadas, diferentes das do resto do halo.
Com uma razão de massa estimada em quatro para um, a fusão teria aquecido dinamicamente o precursor do disco espesso da galáxia e contribuído para formá-lo há cerca de 10 bilhões de anos. No mesmo ano, outro grupo identificou uma estrutura chamada Gaia-Sausage (“Gaia-Salsicha”); ainda há discussão sobre se as duas descrevem o mesmo evento.
Duas bolhas de raios gama com 50 mil anos-luz de ponta a ponta
Em novembro de 2010, a NASA anunciou que o telescópio espacial Fermi havia revelado duas estruturas gigantes de raios gama, uma acima e outra abaixo do centro galáctico. Cada bolha tem cerca de 25 mil anos-luz de altura, o que dá uns 50 mil anos-luz de ponta a ponta, mais ou menos a metade do diâmetro da Via Láctea. A equipe de Doug Finkbeiner, do Centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica, só as encontrou depois de processar dados públicos do Fermi, porque uma névoa de raios gama cobria o céu inteiro.
As bolhas podem ter apenas alguns milhões de anos, e a origem segue em aberto: as hipóteses são uma erupção passada do buraco negro central ou uma explosão de formação de estrelas. Indícios das bordas já tinham aparecido em raios X no ROSAT, missão de raios X liderada pela Alemanha nos anos 1990.
A colisão com Andrômeda talvez nem aconteça
A previsão de que a Via Láctea e Andrômeda se fundiriam em alguns bilhões de anos foi revista em 2025. Num estudo na revista Nature Astronomy, Till Sawala e colegas usaram os dados mais recentes do Gaia e do Hubble, e incluíram o efeito de outras galáxias do Grupo Local, como M33 e a Grande Nuvem de Magalhães.
O resultado foi uma probabilidade próxima de 50% de que não haja fusão nos próximos 10 bilhões de anos: a órbita da Grande Nuvem de Magalhães é perpendicular à de Andrômeda e torna o encontro menos provável. A chance de uma colisão frontal nos próximos 4 a 5 bilhões de anos ficou em apenas cerca de 2%. Ou seja, a fusão continua possível, mas deixou de ser uma certeza.
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No centro de toda essa galáxia há um buraco negro supermassivo que só foi fotografado em 2022. Para entender melhor objetos desse tipo, continue com as curiosidades sobre buracos negros.
