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Por Luís Gustavo. Veja como pesquisamos e revisamos nosso conteúdo.
Aquele apito fino, chiado ou zunido que parece vir de dentro do próprio ouvido, mesmo sem nenhum som externo por perto, tem nome: zumbido, ou tinnitus. É uma queixa extremamente comum — estima-se que uma parcela significativa da população adulta já sentiu algum episódio de zumbido em algum momento da vida, mesmo que passageiro. O zumbido no ouvido não é, na maioria dos casos, uma doença em si, mas um sintoma: um sinal de que algo no sistema auditivo (ou, mais raramente, em outro sistema do corpo) está funcionando de um jeito diferente do habitual. Entender de onde ele costuma vir ajuda a lidar melhor com o incômodo e a saber quando vale procurar avaliação profissional.
O que costuma causar o zumbido no ouvido
A causa mais comum é a exposição a som alto ao longo do tempo — shows, fones de ouvido no volume máximo, ambientes de trabalho barulhentos — que pode contribuir para o desgaste das células ciliadas da cóclea, estruturas responsáveis por converter vibração sonora em sinal nervoso. Uma vez danificadas, essas células não se regeneram, e a perda auditiva relacionada à idade (chamada de presbiacusia) segue um caminho parecido, o que explica por que o zumbido é mais frequente conforme os anos passam, mas está longe de ser exclusivo de pessoas mais velhas. Bloqueio por cera no canal auditivo também pode causar ou intensificar o zumbido, geralmente de forma temporária e resolvida com limpeza adequada. Alguns medicamentos, incluindo certos anti-inflamatórios em doses altas e algumas classes de antibióticos, são conhecidos por ter efeito ototóxico e podem contribuir para o surgimento do sintoma, assim como problemas na articulação temporomandibular (a articulação da mandíbula) e, em casos mais raros, alterações na circulação sanguínea próxima ao ouvido, que produzem um tipo específico de zumbido pulsátil, sincronizado com os batimentos cardíacos.
Como o zumbido pode afetar o dia a dia de quem convive com ele
Para a maioria das pessoas, o zumbido é mais um incômodo constante do que um problema incapacitante, mas ele pode contribuir para dificuldade de concentração em ambientes silenciosos, já que é justamente na ausência de som externo que o zumbido fica mais perceptível. À noite, sem os ruídos do dia a dia mascarando o som interno, muita gente relata mais dificuldade para pegar no sono, o que cria um ciclo em que a privação de sono aumenta a sensibilidade ao próprio zumbido no dia seguinte. O estresse e a ansiedade têm uma relação de mão dupla com o sintoma: situações estressantes podem intensificar a percepção do zumbido, e o próprio zumbido persistente pode contribuir para mais estresse, um efeito psicológico documentado em quem convive com o sintoma por longos períodos. Vale destacar que a intensidade varia muito de pessoa para pessoa — muitos relatam que o cérebro passa a “filtrar” o som com o tempo, um processo chamado de habituação, reduzindo bastante o incômodo mesmo quando o zumbido em si não desaparece.
Enganos comuns sobre o zumbido que vale desfazer
Um mito frequente é achar que zumbido é sempre sinal de um problema neurológico grave — na grande maioria dos casos, ele está ligado a causas auditivas relativamente comuns, como as descritas acima, e não a uma condição séria. Outro engano é achar que “não existe nada a fazer”, quando na prática várias estratégias de manejo ajudam bastante a reduzir o incômodo, mesmo que nenhuma prometa eliminar o som por completo em todos os casos. Também é comum associar o zumbido só a pessoas mais velhas, mas o uso frequente de fones de ouvido em volume alto e a frequência a shows e baladas têm tornado o sintoma cada vez mais comum entre adultos jovens. Por fim, existe uma exceção importante que foge da regra de “raramente é grave”: zumbido pulsátil, que soa sincronizado com o próprio batimento cardíaco, merece avaliação médica mais rápida, já que pode estar ligado a fatores circulatórios que valem investigação.
Como aliviar o zumbido e quando procurar ajuda profissional
Proteger a audição contra novos danos é o primeiro passo prático: reduzir o volume dos fones, usar proteção auricular em shows e ambientes de trabalho barulhentos, e dar pausas ao ouvido depois de exposições prolongadas ao som alto. Para o incômodo do dia a dia, principalmente na hora de dormir, a terapia sonora com ruído branco ou sons ambientes suaves costuma ajudar bastante: como o cérebro tende a notar mais o zumbido no silêncio total, introduzir um som de fundo constante e neutro pode contribuir para “disfarçar” a percepção do zumbido e facilitar o sono, sem mascarar sons importantes do ambiente. É exatamente por isso que aparelhos de ruído branco e alto-falantes de travesseiro voltados para terapia sonora se tornaram tão populares entre quem convive com o sintoma à noite. Reduzir cafeína e cuidar do estresse também entram na lista de hábitos que podem ajudar, já que ambos têm relação direta com a intensidade percebida do zumbido em muita gente. Se o zumbido for persistente, vier acompanhado de perda auditiva perceptível, tontura ou dor, ou tiver características pulsáteis, o caminho correto é consultar um otorrinolaringologista para investigar a causa com exames apropriados — essas informações têm caráter informativo e não substituem uma avaliação médica individual.
Quem lida com dificuldade para dormir por causa do zumbido também costuma se identificar com o ruído urbano constante como fator de estresse adicional, e vale a pena ler também sobre insônia, já que boa parte das estratégias para dormir melhor se sobrepõe entre os dois temas.
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Aparelho de Ruído Branco para Dormir — gera um som de fundo constante que pode ajudar a reduzir a percepção do zumbido na hora de dormir.
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Você convive com zumbido no ouvido? Guarde este artigo e experimente os hábitos de proteção auditiva antes de recorrer a qualquer produto.
