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Por Luís Gustavo. Veja como pesquisamos e revisamos nosso conteúdo.
Poucas civilizações fascinam tanto quanto o Egito Antigo — e a cada nova escavação, mais detalhes surpreendentes vêm à tona. Separamos 5 curiosidades reais.
1. Os egípcios já usavam próteses funcionais
Arqueólogos encontraram um dedão de pé protético de madeira e couro, datado de mais de 3.000 anos, com sinais de desgaste que indicam uso real — uma das primeiras próteses funcionais já documentadas.
2. As pirâmides eram construídas por trabalhadores pagos, não só escravos
Descobertas arqueológicas em vilas próximas às pirâmides de Gizé mostram evidências de trabalhadores organizados, alimentados e até com acesso a cuidados médicos — contrariando a ideia popular de que só escravos construíram os monumentos.
3. O primeiro tratado de paz da história é egípcio
Depois da Batalha de Cades, o Egito e o Império Hitita assinaram um dos primeiros tratados de paz documentados da história, por volta de 1259 a.C. — uma cópia dele está até hoje exposta na sede da ONU.
4. Cleópatra viveu mais perto da invenção do smartphone do que da construção das pirâmides
A Grande Pirâmide de Gizé foi construída por volta de 2560 a.C., enquanto Cleópatra viveu por volta de 30 a.C. — ou seja, mais tempo separa as pirâmides de Cleópatra do que Cleópatra de nós.
5. Hieróglifos só foram decifrados graças a uma pedra
Por séculos, ninguém sabia ler hieróglifos egípcios. A decifração só foi possível graças à Pedra de Roseta, encontrada em 1799, que tinha o mesmo texto em três escritas diferentes — permitindo a “tradução cruzada”.
Outras leituras que combinam com esse tema: curiosidades sobre religiões do mundo e curiosidades sobre reis e rainhas.
A Grande Pirâmide foi a construção mais alta do mundo por mais de 3.700 anos
A Grande Pirâmide de Gizé serviu de túmulo ao faraó Khufu, também chamado de Quéops, da Quarta Dinastia. Quando ficou pronta, tinha 146,6 metros de altura e um lado da base com cerca de 230 metros. Hoje tem 138,5 metros, porque a maior parte do revestimento de calcário branco e liso foi retirada ao longo dos séculos e o que se vê é o núcleo da estrutura.
As estimativas falam em cerca de 2,3 milhões de grandes blocos de pedra, somando aproximadamente 6 milhões de toneladas, erguidos num período de cerca de 26 anos. Foi a estrutura feita por seres humanos mais alta do planeta durante mais de 3.700 anos.
O calendário egípcio tinha 365 dias e nenhum ano bissexto
O calendário civil do Egito Antigo era solar e dividia o ano em três estações de quatro meses de 30 dias, as mesmas que a cheia do Nilo impunha à vida no campo: inundação, emergência das terras e colheita. Somavam 360 dias, e outros cinco dias, tratados como fora do ano propriamente dito, fechavam a conta dos 365.
Sem anos bissextos, o calendário perdia cerca de um dia a cada quatro anos em relação ao calendário juliano, e por isso é chamado de “ano errante”. Em 238 a.C., o decreto de Canopo, de Ptolomeu III, mandou incluir um sexto dia extra a cada quatro anos, mas sacerdotes e população resistiram, e a reforma foi abandonada. A correção só viria por volta de 25 a.C., por decreto de Augusto.
Dois papiros mostram médicos que examinavam antes de tratar
O papiro Edwin Smith, de cerca de 1600 a.C., é o tratado cirúrgico sobre traumas mais antigo que se conhece. Ele reúne 48 casos de ferimentos, fraturas, luxações e tumores, e cada caso segue a mesma ordem: título, exame do paciente, diagnóstico, prognóstico e tratamento. O médico podia concluir que se tratava de “um mal que eu tratarei”, “um mal contra o qual lutarei” ou “um mal que não se trata”. Entre os tratamentos estão suturas em feridas.
O papiro Ebers, de cerca de 1550 a.C., é outro tipo de documento: um rolo de 110 páginas, com uns 20 metros, que reúne conhecimento de ervas e remédios populares ao lado de muitos encantamentos contra doenças. Os dois mostram uma medicina que misturava observação e magia em proporções diferentes. Para saber o que os egípcios faziam com o corpo depois da morte, veja nossas curiosidades sobre múmias egípcias.
Hatshepsut assumiu o título de faraó
Por volta de 1479 a.C., Hatshepsut começou como regente do jovem Thutmose III e, segundo os estudiosos, passou a ocupar o cargo de faraó ao lado dele por volta do sétimo ano do reinado. Segundo o Museu Metropolitano de Nova York, governou o Egito por cerca de duas décadas, até aproximadamente 1458 a.C., na Décima Oitava Dinastia, e é considerada possivelmente a primeira chefe de Estado mulher importante da história.
Em suas estátuas e relevos, ela aparece com os símbolos tradicionais do poder, como a barba postiça e o saiote. Os pesquisadores interpretam essas imagens como simbólicas. Seu templo funerário em Deir el-Bahri, perto de Luxor, é visto como uma obra-prima da arquitetura antiga.
A Pedra de Roseta registra um decreto de sacerdotes de 196 a.C.
O texto gravado na pedra é um decreto de sacerdotes reunidos em Mênfis, em nome do rei Ptolomeu V Epifânio, para estabelecer o culto divino ao novo soberano. Ptolomeu V assumiu o trono aos cinco anos e foi coroado aos 12. A data equivale a 27 de março de 196 a.C. A pedra está exposta no Museu Britânico desde 1802 e é o objeto mais visitado de lá.
Ter três versões do mesmo texto foi só o começo. A primeira tradução completa do trecho em grego saiu em 1803, e Jean-François Champollion anunciou a transliteração das escritas egípcias em Paris, em 1822. Foi preciso ainda mais tempo até os estudiosos lerem inscrições e textos em egípcio antigo com segurança.
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A Pedra de Roseta abriu as portas para ler o Egito, mas boa parte do que ele guarda ainda está sob camadas de linho. O que se sabe sobre os mortos aparece nas curiosidades sobre múmias egípcias.
