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Por Luís Gustavo. Veja como pesquisamos e revisamos nosso conteúdo.
Gladiadores são um dos símbolos mais reconhecíveis da Roma antiga, mas Hollywood suavizou boa parte da história real. Essas curiosidades vão além da versão de cinema.
1. Nem todo gladiador era escravo lutando à força até a morte
Muitos gladiadores eram homens livres que se voluntariavam, atraídos pela fama e por uma parte do prêmio em dinheiro — alguns até assinavam contratos especificando quantas lutas por ano e quanto seriam pagos.
2. As lutas nem sempre terminavam em morte
Matar um gladiador derrotado significava perder um lutador treinado no qual o dono já tinha investido. Árbitros geralmente paravam a luta assim que um vencedor claro surgia, e um gladiador derrotado podia ser poupado se a plateia e o patrocinador do evento permitissem.
3. Existiam gladiadoras mulheres também
Registros históricos e inscrições descrevem mulheres lutando na arena, chamadas de gladiatrices — uma cena mais rara que a dos gladiadores homens, mas documentada o suficiente pra confirmar que existiam.
4. Gladiadores seguiam um sistema de treinamento bem especializado
Lutadores treinavam em escolas chamadas ludi sob instrutores rígidos, muitas vezes se especializando num estilo de luta e conjunto de armas específico — alguns lutavam com rede e tridente, outros com espada e escudo, cada um com táticas diferentes.
5. Gladiadores de sucesso podiam virar celebridades
Gladiadores populares tinham fãs, apareciam em grafites e “produtos” da época, e podiam eventualmente conquistar a liberdade (uma espada de madeira chamada rudis era o símbolo da aposentadoria).
Pra saber mais sobre como civilizações antigas moldaram o mundo, veja nosso artigo sobre curiosidades do Egito antigo.
Pra continuar explorando esse assunto, dá uma olhada em curiosidades sobre piratas.
Os primeiros combates foram um funeral, em 264 a.C.
Segundo o historiador romano Lívio, o primeiro combate de gladiadores registrado em Roma aconteceu em 264 a.C., durante a Primeira Guerra Púnica. No Fórum Boário, o mercado de gado da cidade, Décimo Júnio Bruto Scaeva fez três pares de lutadores se enfrentarem até a morte para homenagear o pai falecido. O evento se chamava munus, palavra que indica um dever devido ao espírito de um antepassado. A luta nasceu, portanto, como rito funerário, e não como espetáculo de massa.
Os estudiosos ainda discutem a origem exata do costume. Alguns apontam a Campânia, no sul da Itália, onde afrescos de tumbas de Paestum, do século IV a.C., mostram pares de lutadores. A própria palavra “gladiador” vem de gladius, “espada” em latim, e quer dizer algo como “homem da espada”.
Colosseu: o palco que escondia um labirinto sob a arena
A construção do Colosseu começou sob o imperador Vespasiano, por volta de 70 a 72 d.C. Seu filho Tito inaugurou o edifício em 80 d.C., e o historiador Dião Cássio relata que mais de 9 mil animais selvagens morreram nos jogos de abertura. Domiciano, o irmão de Tito, acrescentou o hipogeu e uma galeria no alto para ampliar os assentos. As estimativas modernas falam em cerca de 50 mil lugares. Os lutadores saíam das escolas: Roma tinha quatro, e a maior delas, o Ludus Magnus, abrigava até cerca de 2 mil gladiadores.
O hipogeu era uma rede de dois andares de túneis e jaulas sob o piso da arena, com 80 poços verticais por onde animais e cenários subiam por elevadores e roldanas. Um toldo retrátil protegia do sol cerca de dois terços da arena. Já no começo do século V, o imperador Honório proibiu as lutas de gladiadores em 399 e de novo em 404, ao menos no Ocidente. A última menção a elas é de cerca de 435.
Espártaco e a fuga da escola de Cápua
Espártaco, um trácio, fugiu em 73 a.C. da escola de gladiadores de Lêntulo Batiato, perto de Cápua, com cerca de 70 companheiros, que usaram utensílios de cozinha como armas. Os números variam entre os autores antigos: Plutarco fala em 78, Lívio em 74, Apiano em cerca de 70 e Floro em trinta ou um pouco mais. A revolta, conhecida como Terceira Guerra Servil, cresceu até reunir algo como 70 mil rebeldes.
Marco Licínio Crasso, no comando de oito legiões, derrotou o exército de Espártaco em 71 a.C., perto do rio Sele, na Lucânia. O líder foi dado como morto, mas seu corpo nunca foi encontrado. Cerca de 6 mil sobreviventes capturados foram crucificados ao longo da Via Ápia, a estrada que liga Roma a Cápua.
O que os ossos de Éfeso revelam sobre a dieta dos gladiadores
Na antiga Éfeso, na atual Turquia, arqueólogos encontraram um cemitério de gladiadores dos séculos II e III d.C. Em 2014, uma equipe liderada por Sandra Lösch publicou na revista PLOS ONE a análise de 53 esqueletos, 22 deles de gladiadores, por meio de isótopos de carbono, nitrogênio e enxofre. A dieta dos gladiadores era baseada em plantas, como trigo e cevada, e muito parecida com a da população local. Isso combina com o apelido que os romanos davam a eles: hordearii, “comedores de cevada”.
A diferença apareceu nos ossos: a proporção entre estrôncio e cálcio era maior nos gladiadores. Os autores interpretaram esse sinal como consumo extra de cálcio de uma fonte rica em estrôncio, o que seria compatível com a bebida de cinzas vegetais mencionada por Plínio. É uma interpretação, e não uma prova direta.
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A arena era só a parte mais visível de uma sociedade que vivia da força militar e do espetáculo. Para o pano de fundo bélico, passe por 5 curiosidades sobre guerras na história.
