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Por Luís Gustavo. Veja como pesquisamos e revisamos nosso conteúdo.
Quanto mais a gente entende sobre o universo, mais estranho ele parece. Separamos 5 curiosidades sobre o cosmos que colocam qualquer problema do dia a dia em perspectiva.
1. O universo é, na maior parte, espaço vazio
Se você somar todos os átomos de tudo que existe — estrelas, planetas, poeira cósmica — ainda assim a matéria representa uma fração ínfima do universo observável. O resto é, essencialmente, vácuo.
2. A luz que você vê das estrelas pode ser “do passado”
Como a luz leva tempo para viajar, quando você olha para uma estrela distante, está vendo como ela era há anos, séculos ou milênios atrás — algumas podem nem existir mais.
3. O universo está em expansão acelerada
Não só o universo está se expandindo, como essa expansão está acelerando com o tempo, um fenômeno atribuído à misteriosa “energia escura” — algo que os cientistas ainda não conseguem explicar completamente.
4. Existem mais estrelas no universo do que grãos de areia na Terra
Estimativas colocam o número de estrelas observáveis em torno de 10 seguido de 22 zeros — um número que supera, e muito, a quantidade de grãos de areia em todas as praias e desertos do planeta.
5. O universo vai “esfriar” até quase o zero absoluto
Uma das teorias sobre o destino final do universo é a “morte térmica”: com a expansão contínua, a energia vai se dissipando até que praticamente nada mais aconteça — um processo que levaria trilhões de anos.
Outras leituras que combinam com esse tema: curiosidades sobre a lua e estação espacial internacional.
A luz mais antiga do universo ainda chega até nós
Segundo a NASA, o universo tem cerca de 13,8 bilhões de anos. Nos primeiros minutos depois do Big Bang, formaram-se os primeiros elementos: hidrogênio, hélio e traços de lítio e berílio. Só por volta de 380 mil anos depois os átomos se formaram e o universo ficou transparente, liberando uma luz que viaja desde então. Essa luz é a radiação cósmica de fundo em micro-ondas, a mais antiga que conseguimos observar.
Hoje ela chega esticada, numa temperatura de apenas 2,725 K, ou seja, uns três graus acima do zero absoluto. O satélite WMAP da NASA mapeou as diferenças minúsculas dessa temperatura pelo céu inteiro (entre duas regiões, nos exemplos da NASA, a diferença é de cerca de 0,0002 K), e foi desse mapa que saiu uma idade de 13,77 bilhões de anos para o universo, com margem de erro de meio por cento.
Depois que essa luz se soltou, veio um período chamado de “idade das trevas”, com cerca de 200 milhões de anos, até as primeiras estrelas se acenderem. Segundo a NASA, elas eram de 30 a 300 vezes mais massivas que o Sol. Por volta de 1 bilhão de anos de idade, a luz das estrelas já tinha ionizado quase todo o gás do universo.
5%, 27% e 68%: a receita do cosmos
Segundo as estimativas da NASA, a matéria comum, aquela de que são feitos você, os planetas e as estrelas, responde por apenas cerca de 5% do conteúdo do universo. A matéria escura ocupa uns 27% e a energia escura, perto de 68%. Todos esses números são estimativas e variam um pouco entre as missões.
A matéria escura foi sendo deduzida, não vista. Nos anos 1970, a astrônoma Vera Rubin mostrou que estrelas na borda de galáxias espirais giram rápido demais para serem seguradas só pela matéria visível. Outro indício forte é o Aglomerado da Bala, observado em 2006, em que mapas de lente gravitacional indicaram que a maior parte da massa de dois aglomerados em colisão não estava onde estava o gás quente. Até hoje, porém, nenhuma partícula de matéria escura foi detectada diretamente.
A aceleração da expansão, por sua vez, foi descoberta em 1998, quando duas equipes que estudavam supernovas do tipo Ia perceberam que elas estavam mais fracas, e portanto mais distantes, do que o esperado.
Por que o universo observável tem 93 bilhões de anos-luz
Se o universo tem 13,8 bilhões de anos, como podemos ver algo a mais de 13,8 bilhões de anos-luz? A resposta é que o espaço se expandiu enquanto a luz viajava. A matéria que emitiu a luz mais antiga que recebemos hoje está, no presente, a cerca de 46 bilhões de anos-luz de nós, o que dá ao universo observável um diâmetro de aproximadamente 93 bilhões de anos-luz.
Dentro dessa bolha existem, segundo estimativas, de centenas de bilhões até cerca de 2 trilhões de galáxias, e o valor depende do método de contagem. Além do limite, pode haver mais universo, mas a luz de lá simplesmente ainda não teve tempo de chegar. Telescópios infravermelhos como o James Webb miram justamente essa luz antiga.
Voyager 1: o objeto humano mais distante
Lançada em 5 de setembro de 1977, a Voyager 1 cruzou a heliosfera, a bolha de influência do Sol, em agosto de 2012, e é o objeto feito por humanos mais distante da Terra. Ela enviou dados à NASA durante décadas depois do lançamento.
Mesmo assim, o sinal da sonda leva muitas horas para chegar até nós, e toda essa viagem cabe num ponto minúsculo da imensidão descrita acima: a maior distância já percorrida por uma máquina humana não chega nem perto de sair da nossa vizinhança cósmica, que dirá de alcançar a borda do universo observável.
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A luz das estrelas já chega com séculos de atraso, então ver mais longe é ver mais fundo no passado. É isso que faz o telescópio James Webb, com suas maiores descobertas.
