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Por Luís Gustavo. Veja como pesquisamos e revisamos nosso conteúdo.
Vulcões são um dos lembretes mais claros de que o chão que pisamos está longe de ser sólido e parado. Essas curiosidades sobre vulcões mostram o quanto a geologia pode ser extrema.
1. A maioria dos vulcões da Terra está debaixo d’água
A maior parte da atividade vulcânica do planeta não acontece em terra firme — acontece no fundo do oceano, principalmente ao longo de cadeias montanhosas submarinas chamadas dorsais meso-oceânicas, onde crosta nova está sempre se formando.
2. Algumas erupções vulcânicas criam seus próprios raios
Nuvens de cinza gigantescas de uma erupção podem acumular tanta eletricidade estática pela colisão de partículas que geram tempestades de raios de verdade dentro da própria coluna de cinzas — fenômeno que cientistas chamam de “tempestade suja”.
3. Existe um “supervulcão” embaixo do Parque Yellowstone
Yellowstone fica em cima de um dos maiores sistemas vulcânicos da Terra. Não tem uma erupção grande há centenas de milhares de anos, mas os gêiseres e fontes termais são prova direta da câmara de magma gigante logo abaixo.
4. Solo vulcânico é um dos mais férteis do planeta
Cinza e lava se transformam em solo rico em minerais com o tempo, por isso regiões perto de vulcões ativos ou adormecidos — partes da Itália, Indonésia e Havaí — costumam ter terras agrícolas extremamente produtivas.
5. Alguns vulcões têm lagos de lava que nunca esfriam de verdade
Um punhado de vulcões no mundo, como o Nyiragongo na República Democrática do Congo, mantêm um lago de lava permanente na cratera — rocha derretida que fica líquida na superfície por anos ou décadas seguidas.
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Mauna Loa e Mauna Kea: as montanhas que começam no fundo do mar
O Mauna Loa, no Havaí, é descrito pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) como o maior vulcão ativo do planeta. Seu cume fica a 4.169 metros acima do nível do mar, mas, medido a partir da base no fundo do oceano, o vulcão chega a cerca de 17 km de altura. Sozinho, ele cobre aproximadamente metade da Ilha do Havaí e equivale a cerca de 85% da área de todas as outras ilhas havaianas somadas. Em 1984, uma erupção dele mandou um fluxo de lava a cerca de 7 km da cidade de Hilo, e a mais recente começou em 27 de novembro de 2022.
O vizinho Mauna Kea, adormecido, chega a 4.207 metros acima do mar. Quanto ele mede “de verdade” depende de onde se decide que fica a base: as estimativas vão de cerca de 10 a mais de 17 km, em todo caso bem acima dos 8.849 metros do Everest sobre o nível do mar. A comparação engana porque cada montanha começa em um ponto diferente.
Tambora, 1815: a erupção que esfriou o verão do outro lado do mundo
A erupção do Tambora, na ilha indonésia de Sumbawa, teve seu clímax em 10 de abril de 1815 e é considerada a mais recente de magnitude 7 na escala VEI, que vai até 8. As estimativas de mortes variam muito, de dezenas de milhares até mais de 100 mil, somando vítimas da erupção, da fome e de doenças. O estrondo foi ouvido a pelo menos 2.600 km de distância.
Os efeitos chegaram ao clima. O verão de 1816 ficou conhecido como “o ano sem verão” no Hemisfério Norte: houve geada e neve em junho na Nova Inglaterra, e colheitas fracassaram em boa parte da América do Norte e da Europa. O resfriamento do verão de 1816 é estimado em algo como meio grau Celsius, e os cientistas atribuem o frio ao Tambora junto com outros fatores, como um período de baixa atividade solar.
Krakatoa, 1883: um estrondo ouvido a milhares de quilômetros
Em 27 de agosto de 1883, o vulcão Krakatoa, entre Sumatra e Java, teve sua explosão mais forte. O som foi ouvido a cerca de 3.110 km de distância, em Perth, na Austrália, e a cerca de 4.800 km, na ilha de Rodrigues, perto de Maurício. A onda de pressão do ar deu mais de três voltas ao redor da Terra, e os barômetros da época registraram a passagem dela. No verão seguinte, a temperatura no Hemisfério Norte caiu cerca de 0,4 °C.
A estimativa é de cerca de 36 mil mortes, a maioria causada pelos tsunamis. Há registros de uma onda de 46 metros atingindo a cidade de Merak. Depois da erupção, os pores do sol ficaram tão vermelhos que, em cidades dos Estados Unidos, bombeiros foram chamados por gente que achava que havia incêndios.
Quantos vulcões existem, e onde ficam a maioria
Segundo o USGS, há cerca de 1.350 vulcões potencialmente ativos no mundo, sem contar os que formam as cadeias submarinas nas dorsais oceânicas, e uns 500 deles entraram em erupção em tempos históricos. Muitos dos que têm histórico de atividade estão no chamado Círculo de Fogo, a zona em volta do Oceano Pacífico onde a Placa do Pacífico encontra outras placas tectônicas. A mesma região concentra muitos terremotos, porque os dois fenômenos estão ligados ao movimento das placas.
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Os vulcões lembram que a crosta terrestre está em movimento permanente, e quem sente isso de forma mais direta são as regiões sujeitas a abalos. O tema continua em 5 curiosidades sobre terremotos.
