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Por Luís Gustavo. Veja como pesquisamos e revisamos nosso conteúdo.
Poeira em casa parece inofensiva — uma camada leve numa prateleira, fácil de limpar com um pano. O que pouca gente pensa é do que a poeira é realmente feita, e o que respirar isso todos os dias pode causar ao longo do tempo.
O que tem de verdade na poeira de casa
Poeira não é só sujeira. É uma mistura de células de pele mortas, fibras de tecido, pólen que entrou de fora, pelos de animais e ácaros — criaturas microscópicas que se alimentam de flocos de pele e se reproduzem em colchões, travesseiros e carpetes.
Efeitos da exposição contínua a poeira e ácaros
– Espirros e irritação nasal mais frequentes: fezes de ácaros são um dos gatilhos de alergia respiratória mais comuns dentro de casa.
– Sono mais leve e interrompido: colchões e travesseiros são onde os ácaros mais se concentram, exatamente onde você respira por 7-8 horas por noite.
– Coceira ou irritação nos olhos: poeira suspensa no ar e pelos de animais costumam afetar os olhos antes de qualquer outro sintoma.
– Qualidade do ar interno pior de forma geral: a poeira assenta e volta pro ar a cada movimento no ambiente.
Isso não substitui avaliação médica — são efeitos comumente relatados de exposição a poeira e ácaros. Quem tem asma ou alergia diagnosticada deve seguir a orientação específica do médico.
O ácaro de 0,3 milímetro e o ciclo de vida de poucos meses
Os ácaros de poeira doméstica medem em geral entre 0,2 e 0,3 milímetro, no limite do que o olho humano consegue enxergar. As pelotas fecais deles, que carregam boa parte do alérgeno, são menores ainda, de 10 a 40 micrômetros. Eles se alimentam principalmente de flocos de pele de pessoas e animais e de alguns fungos, e não picam nem parasitam ninguém: a Associação Americana de Pulmão lembra que não são parasitas que mordem, ferroam ou se enterram na pele.
O ciclo é curto. A vida média fica entre 65 e 100 dias, e uma fêmea fecundada pode botar de 60 a 100 ovos nas últimas cinco semanas de vida. Como a população se renova com rapidez, uma única limpeza não resolve para sempre; o que pesa é manter as condições da casa menos favoráveis a eles.
Por que a umidade pesa tanto para eles
Ácaros não bebem água: absorvem a umidade do ar. Por isso prosperam em ambientes quentes e úmidos e não sobrevivem em clima muito seco, como o de desertos. A Associação Americana de Pulmão aponta manter a umidade da casa abaixo de 50% como uma das medidas centrais de controle, e o National Jewish Health, hospital americano especializado em doenças respiratórias, sugere uma faixa ainda menor, de 30% a 40%, com ar-condicionado ou desumidificador em climas quentes.
A mesma instituição desaconselha umidificadores e vaporizadores no quarto de quem tem alergia a ácaros, justamente porque elevam a umidade do ambiente. Quem mora em região úmida, ou convive com mofo, tem mais um motivo para olhar o assunto de perto, e o texto sobre rinite alérgica mostra como o nariz costuma ser o primeiro a reclamar.
Os ácaros que moram nas casas brasileiras
Nos Estados Unidos, cerca de quatro em cada cinco casas têm alérgenos de ácaros em pelo menos uma cama, e a maior parte da exposição acontece durante o sono. No Brasil, estudos revisados por pesquisadores da Universidade Federal de Uberlândia indicam que o Dermatophagoides pteronyssinus e a Blomia tropicalis são as espécies mais frequentes na poeira doméstica, enquanto o Dermatophagoides farinae, comum nos Estados Unidos, é raramente encontrado.
Num levantamento em 60 casas de Uberaba, em Minas Gerais, a família dos piroglifídeos, à qual pertencem os ácaros do gênero Dermatophagoides, foi a mais frequente, com 39,4% dos ácaros coletados. As maiores concentrações de alérgenos apareceram na roupa de cama recolhida em março. É um estudo regional, que ajuda a entender o padrão, mas não vale como retrato de todas as casas do país.
Lavar, cobrir e secar: o que entidades de alergia sugerem
Para a roupa de cama, a Associação Americana de Pulmão indica lavar toda semana em água a pelo menos 49 °C (120 °F), e o National Jewish Health fala em 54 °C (130 °F). Esse mesmo hospital recomenda capas antialérgicas com zíper, à prova de poeira, em colchões, travesseiros e boxes, com fita de pano sobre o zíper, e tirar o carpete do quarto em favor de tapetes laváveis.
Na limpeza, a Associação Americana de Pulmão sugere passar pano úmido ou de microfibra, para prender a poeira em vez de espalhá-la, e usar aspirador com filtro HEPA em carpetes que não dê para trocar. Quem tem alergia não deve ficar no cômodo durante a aspiração.
Como reduzir a exposição a poeira e ácaros
Aspirar regularmente com um aparelho que realmente retém partículas finas (em vez de jogá-las de volta no ar) já faz bastante diferença, principalmente em colchões e estofados. Combinar isso com um purificador de ar que filtra continuamente entre as limpezas ajuda a manter os níveis de alérgeno baixos nos ambientes onde você passa mais tempo.
Problemas de poeira costumam andar junto com questões de umidade — veja também nosso artigo sobre mofo e umidade em casa pra outro ângulo sobre qualidade do ar interno.
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