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Por Luís Gustavo. Veja como pesquisamos e revisamos nosso conteúdo.
A gente usa fone de ouvido todo dia e quase nunca para pra pensar na engenharia absurda que existe por trás disso. Separamos 5 curiosidades sobre som e tecnologia de áudio.
1. Cancelamento de ruído é literalmente uma “anti-onda”
Os fones com cancelamento ativo de ruído (ANC) captam o som ambiente com microfones e geram uma onda sonora exatamente oposta — quando as duas se encontram, elas se anulam. É física pura de ondas, não mágica.
2. Graves “pesados” você sente com o corpo, não só com o ouvido
Frequências muito baixas (graves profundos) fazem o ar vibrar de um jeito que o corpo capta por vibração óssea e nos órgãos, não só pelo tímpano. É por isso que um show alto “bate no peito”.
3. O Bluetooth tem esse nome por causa de um rei viking
Sério: o nome vem de Harald “Bluetooth” Gormsson, rei viking que unificou tribos da Dinamarca. A ideia era que a tecnologia “uniria” diferentes dispositivos, assim como ele uniu os povos nórdicos. O símbolo do Bluetooth combina as runas do nome dele.
4. Áudio Hi-Res não é só “mais alto”
Áudio de alta resolução captura mais detalhes de frequência do que o MP3 comprimido tradicional — é a diferença entre ouvir só a melodia e ouvir cada nuance de um instrumento específico na gravação.
5. Bateria de fone sem fio dura mais do que parece
Fones modernos com estojo de recarga podem chegar a 40-60h de uso total combinando fone + estojo — tecnologia que evoluiu muito nos últimos 5 anos e que a maioria das pessoas ainda subestima.
Esse assunto também tem tudo a ver com remédio de luz devolve visão a cegos e com avalanches, que valem a leitura.
Decibéis: por que 10 a mais é bem mais do que parece
A escala de decibéis é logarítmica. Segundo o NIOSH, instituto de saúde ocupacional dos Estados Unidos, um som 10 dB mais alto é dez vezes mais intenso. Por isso a diferença entre uma conversa e um show é enorme, apesar de os números parecerem próximos. O NIDCD, órgão do governo americano para audição, lista valores médios: conversa normal entre 60 e 70 dBA, cinema entre 74 e 104, e música em fones no volume máximo, estádios e shows entre 94 e 110. Sirenes ficam entre 110 e 129, e uma queima de fogos pode chegar a 160.
O mesmo órgão explica que sons de até 70 dBA dificilmente causam perda auditiva, mesmo com exposição longa, enquanto exposição longa ou repetida a 85 dBA ou mais pode causar. Quanto mais alto o som, menos tempo leva para o dano aparecer, e distância e duração também pesam.
Fone no volume alto: o que a OMS e a ITU dizem
A Organização Mundial da Saúde estima que mais de 1 bilhão de jovens adultos correm risco de perda auditiva permanente evitável, principalmente por hábitos de escuta insegura. Para tentar mudar o cenário, OMS e União Internacional de Telecomunicações (ITU) criaram, dentro da iniciativa Make Listening Safe, a norma H.870 para aparelhos de áudio portáteis, aprovada em 2019 e atualizada em 2022.
A norma usa o princípio da energia equivalente: quantidades iguais de energia sonora causam o mesmo dano permanente, não importa como se distribuam no tempo. Ela traz critérios separados para adultos e crianças e orientações sobre avisos ao usuário e medição da exposição acumulada. Para trabalhadores, o NIOSH recomenda limite de 85 dBA em média numa jornada de oito horas.
Dos fones de 1910 ao primeiro Walkman
Em 1910, o americano Nathaniel Baldwin construiu um protótipo de fone depois de ter dificuldade para ouvir os sermões na igreja. A Marinha dos EUA encomendou 100 unidades, e a produção foi montada em Utah, embora os primeiros modelos fossem desconfortáveis e tivessem som ruim. Em 1958, John C. Koss, músico de jazz e audiófilo de Milwaukee, lançou o SP-3, apontado como o primeiro fone estéreo.
O conector de 3,5 mm, que depois virou padrão nos aparelhos portáteis, foi usado num rádio da Sony em 1964. Em 1º de julho de 1979, o Walkman TPS-L2 chegou ao mercado japonês por ¥ 33.000, ou US$ 200 nos Estados Unidos. Sua mecânica vinha do TCM-100, um gravador portátil de 1978 voltado a executivos e jornalistas, que a Sony nunca vendeu como Walkman. A Sony temia que “Walkman” não fosse inglês correto e usou outros nomes no começo: Soundabout nos EUA e Stowaway no Reino Unido. O nome Walkman virou marca global em 1980. Nos anos 1980, o “efeito Walkman” levou os fones para as calçadas, lojas e transportes públicos, algo que também mudou como as pessoas escutam música.
Por que o som viaja mais rápido debaixo d’água
A NOAA informa que o som se propaga a cerca de 1.500 m/s na água e a cerca de 340 m/s no ar, ou seja, uma velocidade mais de quatro vezes maior. A diferença vem das propriedades mecânicas da água, e a velocidade também aumenta com a temperatura: o som anda mais rápido em água quente do que em água fria.
No oceano existe ainda o chamado canal profundo de som, onde as ondas se curvam em direção à camada de menor velocidade sonora e podem percorrer milhares de metros. Sons de baixa frequência viajam por longas distâncias com pouquíssima perda de sinal.
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