
Este post pode conter links de afiliados. Se você comprar através deles, podemos receber uma comissão, sem custo adicional para você.
Por Luís Gustavo. Veja como pesquisamos e revisamos nosso conteúdo.
Chapéu de três pontas, mapa do tesouro, bandeira preta e uma prancha estendida sobre o mar: a imagem que o cinema e os livros de aventura criaram dos piratas é forte, mas nem tudo nela resiste aos registros históricos. A chamada era de ouro da pirataria, que os historiadores costumam situar entre o fim do século XVII e as primeiras décadas do século XVIII no Caribe e no Atlântico, foi um período real e violento, com uma organização social que surpreende. Separamos 5 curiosidades reais sobre piratas que ajudam a separar o mito da história.
1. Muitos navios piratas tinham regras democráticas
Vários grupos de piratas funcionavam com regras escritas, os chamados artigos, que todos os tripulantes assinavam ou juravam. Os relatos históricos mostram que esses códigos definiam como o butim seria dividido, quais castigos valiam para quem roubasse dos companheiros e até regras de convivência a bordo, como horário para apagar as luzes. Em muitos navios, o capitão era escolhido e podia ser destituído por votação da tripulação, com poder de comando total apenas durante os combates. Isso contrastava com a hierarquia rígida das marinhas mercantes e militares da época, onde marinheiros comuns tinham poucos direitos, e ajuda a entender por que tantos homens aceitavam o risco de uma vida fora da lei. Vale lembrar que boa parte do que sabemos vem de relatos escritos por terceiros na época, então os detalhes variam de navio para navio.
2. “Andar na prancha” era raro na prática
A cena do condenado obrigado a andar na prancha é uma das imagens mais associadas aos piratas, mas os historiadores encontram pouquíssimos registros de que essa prática fosse comum na era de ouro. Os castigos documentados eram outros: abandonar o culpado em uma ilha deserta com poucas provisões, açoitar ou simplesmente lançar ao mar sem cerimônia. A prancha ganhou fama sobretudo por causa da literatura e do cinema dos séculos XIX e XX, que amplificaram o efeito dramático. Isso não significa que os piratas fossem gentis: os relatos de ataques incluem violência, tortura e assassinato. O ponto é que a imagem consagrada da prancha é, em grande parte, criação posterior.
3. Existiram piratas mulheres famosas
Anne Bonny e Mary Read estão entre as piratas mais conhecidas da história. Ambas integraram a tripulação de John “Calico Jack” Rackham, que atuou no Caribe por volta de 1720, e foram descritas em registros da época como combatentes tão ativas quanto os homens. Quando o navio foi capturado, elas foram julgadas na Jamaica; ambas alegaram estar grávidas, o que lhes permitiu adiar a execução, e Mary Read acabou morrendo na prisão, enquanto o destino final de Anne Bonny é incerto nos registros. Muito do que se conta sobre a vida delas vem de uma obra de 1724 conhecida como “História Geral dos Piratas”, que mistura fatos e exageros, e por isso os historiadores tratam alguns detalhes com cautela.
4. Nem todo pirata era “foragido” — alguns tinham autorização oficial
Corsários eram navegadores autorizados por um governo, por meio de um documento chamado carta de corso, a atacar navios de países inimigos em tempos de guerra. Em vez de agir contra todos, atuavam com uma licença oficial e, em geral, repartiam os lucros com o Estado. Um dos exemplos mais famosos é o inglês Francis Drake, que atacou navios e portos espanhóis no século XVI com apoio da rainha Elizabeth I e chegou a receber o título de cavaleiro. Do ponto de vista dos espanhóis, porém, Drake era um pirata. A diferença entre pirata e corsário dependia, portanto, de quem contava a história e de quem havia autorizado os ataques, e essa fronteira era frágil: quando a guerra acabava, muitos corsários continuavam atacando por conta própria e viravam piratas de fato.
5. A maioria dos piratas tinha vida útil curta
A vida pirata podia render riqueza rápida, mas a maioria dos piratas não chegava à velhice. Doenças como escorbuto, febre amarela e malária eram frequentes nos navios e nos portos tropicais, e ferimentos de batalha e naufrágios também eram comuns. A partir da década de 1710, as potências europeias intensificaram a repressão à pirataria, com patrulhas navais e julgamentos que terminavam em enforcamentos públicos. Nomes famosos tiveram fim violento: Barba Negra foi morto em combate em 1718, e Bartholomew Roberts morreu em batalha em 1722, um marco que muitos historiadores associam ao declínio da era de ouro. A imagem do pirata rico e aposentado, aproveitando o tesouro, é bem mais rara nos registros do que a de quem terminou na forca ou no fundo do mar.
O que sobra do mito
A história real dos piratas é menos glamourosa e, ao mesmo tempo, mais interessante que a dos filmes: gente comum, muitas vezes ex-marinheiros e trabalhadores explorados, que criou regras próprias, votava seus líderes e vivia sob risco constante. O cinema simplificou tudo isso em vilões e heróis. Quando aparecer uma cena de prancha ou de mapa do tesouro na tela, vale lembrar que o que existe de documentado costuma ser bem diferente, e mais humano.
Quem gosta desse tipo de curiosidade também costuma curtir curiosidades sobre o egito antigo e curiosidades sobre religiões do mundo.
Quer traçar suas próprias rotas de exploração?
Globo Terrestre Giratório Preto Decorativo — item de decoração clássico pra quem ama história e geografia.
Aviso: link com nosso rastreio de afiliado na Amazon.
Longe do mito, a pirataria era um negócio arriscado, e muitos navios acabaram no fundo do mar. O que ficou por lá interessa a historiadores, como mostram 5 curiosidades sobre naufrágios que intrigam historiadores.
