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Por Luís Gustavo. Veja como pesquisamos e revisamos nosso conteúdo.
A história da medicina é cheia de acasos, descobertas acidentais e ideias que hoje parecem óbvias, mas levaram séculos para serem aceitas. Separamos 5 curiosidades sobre esse tema.
1. A penicilina foi descoberta por acidente
Em 1928, o cientista Alexander Fleming notou que um fungo havia contaminado uma de suas placas de cultura bacteriana — e, ao redor do fungo, as bactérias não cresciam. Essa observação casual levou ao desenvolvimento do primeiro antibiótico moderno.
2. Lavar as mãos já foi uma ideia rejeitada pela medicina
No século XIX, o médico húngaro Ignaz Semmelweis defendia que médicos lavassem as mãos entre atendimentos para reduzir infecções — a ideia foi ridicularizada por colegas da época, décadas antes da teoria microbiana das doenças ser amplamente aceita.
3. A varíola foi oficialmente erradicada do planeta
Graças a uma campanha global de vacinação, a Organização Mundial da Saúde declarou a varíola erradicada em 1980 — a única doença infecciosa humana eliminada globalmente até hoje.
4. Nem toda “epidemia” histórica tinha causa conhecida na época
Doenças como a Peste Negra, que devastou a Europa no século XIV, só tiveram sua causa (a bactéria Yersinia pestis) identificada cientificamente séculos depois, com o desenvolvimento da microbiologia moderna.
5. O efeito placebo é cientificamente documentado
Estudos clínicos mostram que pacientes que recebem um tratamento inativo (placebo), acreditando ser real, podem apresentar melhora em alguns sintomas — um fenômeno usado como controle em pesquisas médicas até hoje.
Esse assunto também tem tudo a ver com suor excessivo e com unhas fracas e quebradiças, que valem a leitura.
Maio de 1796: o menino James Phipps e a primeira vacina
O princípio de proteger uma pessoa expondo-a a uma forma mais branda da doença já era conhecido: a variolação, que usava material da própria varíola, já era praticada por africanos escravizados. Em 1716, um deles, Onesimus, explicou a técnica a Cotton Mather, que passou a defender seu uso no surto de 1721, em Massachusetts. Mas o método era arriscado. Em maio de 1796, o médico inglês Edward Jenner, ouvindo relatos de comunidades rurais de que quem pegava varíola bovina ficava protegido da varíola humana, inoculou James Phipps, de 8 anos, com material de uma lesão na mão da leiteira Sarah Nelmes.
O menino passou alguns dias indisposto e se recuperou. Dois meses depois, em julho, Jenner inoculou nele material de uma ferida de varíola humana, e Phipps permaneceu saudável. Foi a primeira pessoa vacinada contra a varíola. A erradicação só veio quase dois séculos depois: a doença foi eliminada da América do Sul em 1971, da Ásia em 1975 e da África em 1977, num programa que custou cerca de US$ 300 milhões, segundo a OMS.
Soho, 1854: um mapa de mortes e uma bomba d’água
Na Londres de meados do século XIX, a explicação dominante era que a cólera se espalhava pelo ar. O médico John Snow suspeitava da água. Quando centenas de pessoas morreram em poucos dias no bairro do Soho, em 1854, ele marcou cada caso num mapa e viu os óbitos se concentrarem ao redor de uma bomba de água da atual Broadwick Street. Snow convenceu as autoridades locais a retirar a manivela da bomba, e o surto diminuiu.
Historiadores lembram que a epidemia talvez já estivesse em declínio quando a manivela foi retirada, de modo que o episódio pesa menos como “o gesto que parou a cólera” e mais como um marco do método: relacionar casos a lugares para achar a fonte de uma doença. Uma fossa com vazamento, a poucos metros do poço, foi descoberta depois.
16 de outubro de 1846: “Senhores, isto não é uma farsa”
No anfiteatro do Massachusetts General Hospital, em Boston, hoje conhecido como Ether Dome, o dentista William Morton anestesiou com éter o paciente Gilbert Abbott, um jovem tipógrafo com um tumor vascular no pescoço. O cirurgião John Collins Warren removeu parte do tumor, e Abbott, ao acordar, teria dito que parecia que seu pescoço tinha sido arranhado. Warren virou-se para a plateia e declarou: “Senhores, isto não é uma farsa”, no original “no humbug”.
A frase provavelmente se referia ao fracasso do ano anterior: na mesma sala, uma demonstração com óxido nitroso feita por Horace Wells terminou com o paciente gemendo de dor e a plateia gritando “humbug”. A sala funcionou como centro cirúrgico do hospital de 1821 a 1867.
A mão da esposa de Röntgen e o primeiro raio X
Em 1895, o físico alemão Wilhelm Röntgen estudava raios catódicos quando notou um brilho fraco em telas sensíveis à luz próximas ao aparelho, mesmo com ele coberto. A causa era uma radiação penetrante até então desconhecida, a que chamou de raios X. Ao testar o poder de atravessar objetos, ele deixou a mão da esposa imóvel sobre uma chapa fotográfica. A imagem revelada mostrava os ossos dela e o anel que usava, cercados pela sombra mais fraca da carne: a primeira radiografia da história.
Röntgen recebeu o Nobel de Física de 1901.
Semmelweis em números: de 18,27% a 1,27%
Os números da enfermaria de Viena mostram o tamanho da diferença. O gatilho foi a morte de um colega, Kolletschka: os achados em seu corpo eram idênticos aos da febre puerperal, e Semmelweis concluiu que a contaminação vinha de cadáveres. Depois de experimentar sabão e água clorada, ele adotou a cal clorada, mais barata, e passou a exigir que médicos e estudantes desinfetassem as mãos antes de examinar as gestantes. A mortalidade na sua enfermaria caiu de 18,27% para 1,27% em 1848, segundo a Science History Institute. Mesmo assim, muitos médicos continuaram rejeitando a prática.
Prevenção também é parte da história
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Da penicilina ao efeito placebo, a medicina avançou aos tropeços e, às vezes, sem saber a causa do que combatia. O exemplo mais devastador dessa ignorância está nas curiosidades sobre a Peste Negra.
