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Por Luís Gustavo. Veja como pesquisamos e revisamos nosso conteúdo.
A água tratada que chega em casa passa por processos importantes de desinfecção, incluindo cloro, para garantir que seja segura para consumo. O que pouca gente pensa é no efeito repetido disso na pele e no cabelo, principalmente em quem toma banhos mais longos ou mora em regiões com água mais “dura”.
Por que a água da torneira contém cloro
O cloro é usado no tratamento de água justamente para eliminar microrganismos e tornar a água segura para beber. É essencial para a saúde pública — o ponto aqui não é evitar água tratada, mas entender o efeito cumulativo do contato direto e repetido com pele e cabelo.
Efeitos possíveis do contato repetido
– Pele mais ressecada: o cloro pode remover parte da oleosidade natural da pele durante o banho.
– Cabelo opaco: uso repetido de água com cloro tende a deixar os fios menos brilhantes ao longo do tempo.
– Couro cabeludo mais sensível: algumas pessoas notam mais coceira ou irritação leve no couro cabeludo.
– Sensação de “aperto” na pele: comum logo após o banho, especialmente em quem já tem pele mais seca.
Esses efeitos variam bastante de pessoa para pessoa e dependem da qualidade da água local — não é uma alegação médica, apenas um efeito observado com frequência.
Quanto cloro a norma brasileira permite na torneira
A Portaria GM/MS nº 888, de 2021, do Ministério da Saúde, define o padrão de potabilidade no Brasil. O artigo 32 exige a manutenção de, no mínimo, 0,2 mg/L de cloro residual livre em toda a extensão do sistema de distribuição, do reservatório à rede, e também nos pontos de consumo. Quando o desinfetante é o cloro residual combinado, o mínimo é de 2 mg/L. Na tabela de substâncias químicas da mesma portaria, o valor máximo permitido para o cloro residual livre é de 5 mg/L.
O teto de 5 mg/L coincide com o valor de referência da Organização Mundial da Saúde para cloro na água de beber. A OMS informa que a maior parte da água desinfetada traz entre 0,2 e 1 mg/L e que a prática normal é manter alguns décimos de miligrama por litro como proteção contra a recontaminação da água na rede. Esses limites foram definidos para quem bebe a água; eles não medem o efeito do banho na pele ou no cabelo.
Água dura: o problema pode ser cálcio e magnésio
Pele repuxada depois do banho nem sempre vem do cloro. A dureza da água é causada, na maior parte dos casos, por cálcio e magnésio dissolvidos, e o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) classifica a água em faixas medidas em miligramas de carbonato de cálcio por litro: mole, de 0 a 60; moderadamente dura, de 61 a 120; dura, de 121 a 180; e muito dura, acima de 180. Esses minerais, em geral, não são tóxicos, e por isso os Estados Unidos não fixam um limite legal de dureza.
No Brasil, a dureza total aparece no padrão organoléptico da portaria, o conjunto de parâmetros ligado a aspecto, gosto e odor, com valor máximo permitido de 300 mg/L. A mesma tabela fixa limites para o cloreto (250 mg/L) e para os sólidos dissolvidos totais (500 mg/L). Ou seja, dureza e cloro são assuntos diferentes: um é mineral, o outro é desinfetante, e a norma trata cada um com seu próprio parâmetro. Para outro incômodo comum da pele, veja pés secos e rachados.
Amolecedor de água e eczema infantil: o que um ensaio britânico encontrou
Como a água dura é muitas vezes apontada como vilã da pele, pesquisadores do Reino Unido testaram a ideia. No estudo SWET, publicado em 2011 na revista PLoS Medicine e financiado pelo programa de avaliação de tecnologias em saúde do NIHR, 336 crianças de 6 meses a 16 anos, com eczema atópico moderado a grave e moradoras de áreas de água dura, foram divididas em dois grupos: um recebeu em casa um amolecedor de água por troca iônica além dos cuidados habituais, o outro seguiu só com os cuidados habituais.
Em 12 semanas, a gravidade do eczema melhorou 20% no grupo com o equipamento e 22% no grupo sem ele, uma diferença sem significância estatística. Os autores concluíram que o amolecedor não trouxe benefício adicional e que não recomendavam o uso para tratar eczema infantil, ressalvando que famílias podem querer o aparelho por outros motivos. O resultado vale para um grupo específico, crianças com eczema, e não diz nada sobre pele saudável; ele serve de lembrete de que tirar um mineral da água não garante pele melhor.
Onde conferir a qualidade da água do seu endereço
O texto da portaria, no artigo 14, obriga o responsável pelo sistema de abastecimento a manter registros atualizados sobre a qualidade da água distribuída e a organizá-los de forma compreensível aos consumidores, com acesso rápido e consulta pública. Na prática, as companhias e autarquias de saneamento publicam relatórios anuais de qualidade da água, em atendimento ao Decreto Federal nº 5.440, de 2005, que trata das informações repassadas ao consumidor sobre a qualidade da água.
Esses relatórios reúnem os resultados das análises feitas na rede de distribuição, com parâmetros previstos na portaria, como cloro residual livre, turbidez e cor. O documento do município é a fonte mais direta para saber o que de fato chega à torneira, em vez de depender de regras gerais como as deste texto. Quem tem doença de pele diagnosticada ou sintomas persistentes deve conversar com um dermatologista, que avalia o caso individual.
Como reduzir o contato com cloro e impurezas
Instalar um filtro na torneira do banho ou da pia é uma forma simples de reduzir a quantidade de cloro e outras impurezas em contato direto com pele e cabelo, sem precisar de nenhuma reforma.
Quem gosta desse tipo de curiosidade também costuma curtir mofo e umidade em casa e ruído urbano constante.
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Já reparou nesse efeito no seu cabelo ou pele? Compartilhe com quem também mora em região de água mais dura.
