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Por Luís Gustavo. Veja como pesquisamos e revisamos nosso conteúdo.
A fotografia mudou completamente desde suas primeiras tentativas, mas a história por trás dela é cheia de curiosidades. Separamos 5 delas.
1. A primeira fotografia da história levou horas para ser feita
“Vista da Janela em Le Gras”, capturada por Joseph Nicéphore Niépce por volta de 1826-1827, precisou de horas de exposição para ser registrada — bem diferente da instantaneidade que temos hoje.
2. A palavra “fotografia” vem do grego e significa “desenhar com luz”
O termo combina “photos” (luz) e “graphein” (desenhar/escrever) — uma descrição bem literal do processo que captura imagens através da luz.
3. As primeiras câmeras não tinham filme
Antes da invenção do filme fotográfico, as primeiras câmeras usavam placas de metal ou vidro recobertas com produtos químicos sensíveis à luz — um processo caro e demorado.
4. A câmera digital foi inventada décadas antes de virar popular
O primeiro protótipo de câmera digital foi criado em 1975, por um engenheiro da Kodak — mas levou décadas até a tecnologia se tornar acessível ao público em geral.
5. Bilhões de fotos são tiradas todos os dias no mundo
Com a popularização dos smartphones, estimativas apontam que bilhões de fotos são capturadas diariamente ao redor do mundo — mais fotos em um único dia do que em décadas inteiras da fotografia analógica.
Outras leituras que combinam com esse tema: curiosidades sobre grandes pintores e curiosidades sobre música.
Daguerre, Niépce e o presente da França ao mundo, em 1839
Em 19 de agosto de 1839, numa sessão conjunta da Academia de Ciências e da Academia de Belas-Artes, em Paris, o governo francês apresentou o daguerreótipo como um presente da França “livre para o mundo”. Por trás do gesto havia um acordo financeiro: o Estado adquiriu os direitos do processo em troca de pensões vitalícias para Louis Daguerre e para Isidore Niépce, filho de Nicéphore Niépce, que tinha morrido em 1833 e fora o parceiro de Daguerre nas pesquisas.
As instruções completas foram publicadas, e o método passou a ser copiado em vários países. Havia uma exceção geográfica: poucos dias antes, Miles Berry registrara uma patente britânica em nome de Daguerre, cobrindo Inglaterra, País de Gales e Berwick-upon-Tweed. Ou seja, o processo era aberto na França e protegido no Reino Unido.
O engraxate de 1838 e o autorretrato de Robert Cornelius
Numa manhã de primavera de 1838 (algumas fontes admitem 1837), Daguerre apontou a câmera da janela de seu estúdio para o Boulevard du Temple, em Paris. A exposição levou cerca de quatro a cinco minutos, tempo suficiente para o tráfego em movimento desaparecer da chapa. Só ficaram registrados dois homens parados numa esquina: um engraxate e seu cliente. É considerada a mais antiga fotografia sobrevivente que inclui uma pessoa, embora haja quem suspeite que um dos vultos seja, na verdade, uma bomba d’água.
Em outubro de 1839, o americano Robert Cornelius montou uma câmera improvisada diante da loja de sua família, na Filadélfia, e posou para si mesmo, de braços cruzados. Precisou ficar imóvel por 10 a 15 minutos. O resultado é aceito como o mais antigo retrato fotográfico intencional de uma pessoa feito nos Estados Unidos.
Esses minutos de imobilidade foram diminuindo. Com a adição de bromo e cloro à sensibilização das chapas, no início da década de 1840, as exposições em boa luz caíram para algo em torno de 15 a 30 segundos, segundo uma estimativa de Josef Maria Eder.
A fita xadrez de 1861 e o autocromo de 1907
A fotografia em cores demorou a chegar. Em 1861, o fotógrafo Thomas Sutton fez, a pedido do físico James Clerk Maxwell, três chapas de uma fita xadrez, cada uma com um filtro diferente (vermelho, verde e azul). Projetadas ao mesmo tempo, com os filtros correspondentes, as três imagens em preto e branco se combinavam numa imagem colorida. As chapas da época eram quase insensíveis ao vermelho, e uma análise de 1961 sugeriu que o “vermelho” da fita pode ter vindo de luz ultravioleta refletida.
O primeiro processo colorido de sucesso comercial foi o autocromo dos irmãos Lumière, patenteado em 1903 e vendido a partir de 1907. A placa de vidro levava uma camada de grãos microscópicos de fécula de batata tingidos de laranja-avermelhado, verde e azul-violeta, que funcionavam como filtros. Exigia exposições bem mais longas que o preto e branco. Era caro: uma placa custava cerca do mesmo que uma dúzia de chapas em preto e branco. Ainda assim, foram fabricadas aos milhões até as versões em filme assumirem o lugar das placas, nos anos 1930. Com o autocromo, Albert Kahn reuniu cerca de 72 mil autocromos de 50 países entre 1909 e 1931.
Kodak, 1888: cem fotos e a câmera enviada pelo correio
Até o fim do século XIX, fotografar exigia lidar com químicos e chapas. George Eastman patenteou sua câmera Kodak em 1888 (a patente americana 388.850 foi pedida em março e concedida em setembro) e vendeu o aparelho já carregado com um rolo de filme para 100 exposições. Depois de usar todas, o dono enviava a câmera inteira para a empresa em Rochester, acompanhada de US$ 10.
A fábrica revelava o filme, fazia uma cópia de cada imagem, colocava um rolo novo e devolvia câmera e fotos pelo correio. Foi desse arranjo que saiu o slogan atribuído a Eastman, “You press the button, we do the rest” (“Você aperta o botão, nós fazemos o resto”), que resumia a mudança: fotografar deixava de ser coisa de especialista.
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Das horas de exposição de Niépce aos bilhões de cliques diários, registrar um momento nunca foi tão rápido. Antes da câmera, essa tarefa era do pincel, e a vida de grandes pintores rende histórias à altura.
