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Por Luís Gustavo. Veja como pesquisamos e revisamos nosso conteúdo.
Por trás de quadros famosos existem histórias de vida tão interessantes quanto as próprias obras. Separamos 5 curiosidades sobre grandes pintores.
1. Van Gogh vendeu pouquíssimos quadros em vida
Apesar de hoje ser um dos artistas mais valorizados da história, Vincent van Gogh vendeu pouquíssimas obras enquanto estava vivo (a venda mais bem documentada é a de O Vinhedo Vermelho, em 1890) — o reconhecimento veio majoritariamente depois de sua morte.
2. Da Vinci deixou muitas obras inacabadas
Leonardo da Vinci era conhecido por se distrair com múltiplos projetos ao mesmo tempo — muitas de suas pinturas e invenções nunca foram concluídas, incluindo algumas encomendas importantes.
3. Michelangelo pintou a Capela Sistina quase sozinho
O teto foi encomendado pelo papa Júlio II, o contrato foi assinado em 8 de maio de 1508 e a obra foi inaugurada em 31 de outubro de 1512, e a pintura é creditada a Michelangelo. Ele chegou a chamar pintores de afresco de Florença, mas relatos dizem que não encontrou ajudantes que lhe servissem. Dois detalhes populares precisam de correção: os biógrafos antigos Vasari e Condivi dizem que ele pintou em pé, com a cabeça inclinada para trás, e não deitado de costas; e o andaime foi construído por Piero Roselli, então o projeto não foi totalmente solitário.
4. Frida Kahlo pintava principalmente autorretratos por necessidade física
Depois de um grave acidente que a deixou acamada por longos períodos, Frida Kahlo passou a pintar autorretratos porque era o modelo mais disponível — um espelho era instalado no teto acima da cama.
5. A Mona Lisa já foi roubada
Em 1911, a Mona Lisa foi roubada do Museu do Louvre por um funcionário — o furto gerou tanta repercussão na imprensa da época que ajudou a transformar a obra na pintura mais famosa do mundo.
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Van Gogh deixou mais de 650 cartas ao irmão Theo
Em pouco mais de uma década de carreira, Vincent van Gogh criou cerca de 2.100 obras, entre elas aproximadamente 860 pinturas a óleo, a maior parte feita nos dois últimos anos de vida. Mas boa parte do que se sabe sobre ele veio do papel, não da tela: sobreviveram 903 cartas escritas ou recebidas por ele, e mais de 650 foram enviadas de Vincent para o irmão, Theo.
Theo guardava até os pedaços de papel mais miúdos, e é a esse hábito que o público deve a maior parte da correspondência. Vincent fez o contrário: só 84 cartas dirigidas a ele chegaram até nós, 39 delas do próprio Theo. Depois da morte dos dois, a viúva de Theo, Johanna van Gogh-Bonger, passou anos reunindo o material, publicado por inteiro em janeiro de 1914. Desde 1994, o Museu Van Gogh coordena uma edição anotada de todas as cartas, organizadas por data.
Leonardo: menos de 25 obras principais e 13 mil páginas de anotações
Leonardo da Vinci é lembrado como pintor, mas a conta de telas é curta. Os especialistas atribuem a ele menos de 25 obras principais, contando as inacabadas, e várias outras se perderam. Em compensação, ele encheu cerca de 13 mil páginas de notas e desenhos com estudos de anatomia, plantas, formações rochosas, redemoinhos, máquinas de guerra, máquinas de voar e arquitetura.
A maior parte está escrita em letra cursiva espelhada, da direita para a esquerda. Como ele escrevia com a mão esquerda, é provável que fosse mais fácil assim. Depois da morte do mestre, em 1519, os papéis soltos ficaram com o discípulo e herdeiro Francesco Melzi, que enfrentou a tarefa de publicá-los. Por que nada saiu em vida, ninguém sabe. Até a Mona Lisa, iniciada por volta de 1503, pode ter recebido retoques dele até 1517.
A Mona Lisa passou dois anos escondida num apartamento
Em 1911, o quadro ainda não era popular entre o grande público. O sumiço, em 21 de agosto, só foi relatado no dia seguinte, pelo pintor Louis Béroud. Depois de alguma confusão sobre a possibilidade de a tela estar sendo fotografada, o Louvre fechou por uma semana para a investigação. O poeta Guillaume Apollinaire foi preso e citou o amigo Pablo Picasso, que foi levado para interrogatório. Os dois acabaram inocentados.
O culpado era Vincenzo Peruggia, funcionário do museu que tinha ajudado a montar a caixa de vidro da obra. Ele se trancou no prédio e levou a pintura num dia em que o Louvre estava fechado. Passou dois anos com ela em casa e foi apanhado ao tentar vendê-la a Giovanni Poggi, diretor da Galeria Uffizi, em Florença. A tela ficou exposta no Uffizi por mais de duas semanas e voltou ao Louvre em 4 de janeiro de 1914. Peruggia cumpriu seis meses de prisão e foi tratado como patriota na Itália.
A catarata que mudou as cores de Claude Monet
Depois da morte da segunda esposa, em 1911, e do filho mais velho, em 1914, Monet começou a mostrar os primeiros sinais de catarata. Em 1913 ele consultou um oftalmologista em Londres, recebeu óculos novos e recusou a cirurgia no olho direito. O medo tinha motivo: as operações de outros artistas, como Honoré Daumier e Mary Cassatt, haviam dado errado.
Só no início de 1923 ele aceitou operar, num procedimento em duas etapas, seguido de uma pequena terceira intervenção. Depois da cirurgia, reclamava de ver tudo azulado. Como agora enxergava as cores reais das telas recentes, passou a destruir quadros do período anterior à operação. Lentes tingidas ajudaram, e em 1925, com a visão do olho direito melhor, ele voltou ao trabalho e chegou a retocar algumas obras antigas.
O nome Impressionismo nasceu de uma ironia
Em 1872, Monet pintou o porto de Le Havre ao amanhecer. Quando o catálogo da exposição de 1874, em Paris, pediu um título, ele disse que bastava colocar “Impressão”. O crítico Louis Leroy, do jornal Le Charivari, usou a palavra com deboche na resenha de 25 de abril de 1874, escrita como um diálogo com um pintor tradicional chocado diante do quadro. O rótulo pegou e virou o nome do movimento.
Pesquisadores liderados pelo astrônomo Donald Olson cruzaram a posição do Sol, as tábuas de maré e o registro do clima da época, e concluíram que Monet pintou a cena na manhã de 13 de novembro de 1872, por volta das 7h35.
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